38

Ontem foi meu aniversario. Apesar de me sentir ótima, ao mesmo tempo sinto que nunca estive tão perdida em toda a minha vida.

A impressão que eu tenho é que muita coisa foi perdida, inclusive tempo, em um processo bastante injusto, e isto tudo deveria me incomodar, mas de alguma forma, parece ter muito menos importância do que eu daria antigamente. Existe uma sensação de abandono, mas também de tarefa cumprida.

Ainda não estou saindo de casa, e estou maior a cada dia. Outro dia estive lendo o que eu mesma escrevi aqui pelo blog. Tanto plano, tanta certeza. Como se num estalar de dedos eu fosse capaz de me modificar dos pés a cabeça, de dizer uma série de nãos, de aceitar o inaceitável, de me reinventar.

Eu nem sei se eu quero me reinventar mesmo ou se quero só me descobrir por baixo de todas estas camadas que eu usei a vida toda para atingir padrões que não são meus.

Recebo este ano de numero 38 com a maior curiosidade que alguém poderia ter a respeito do futuro. O que será que vai acontecer daqui pra frene, como eu vou responder ao que virá? Não faço ideia. Por hora vou me permitindo rir, relaxar, jogar, aceitar a mão de quem a estende.

Meu aniversario foi ontem e eu chorei, quase não foi comemorado ou lembrado. Reforça a ideia de que quem esta do meu lado independente de qualquer coisa sempre serão as mesmas pessoas de sempre e que no final isto é tudo o que importa. Que os 39 cheguem sem a necessidade de querer mais do que aquilo que eu tenho, e que a caminhada seja plena.

Entre as coisas que quero na minha caminhada, independente do lugar onde ela vá me levar e retomar velhos hábitos que me faziam bem. Quero retomar a escrita diária, mesmo que seja alguma besteira ou que me pareça sem sentido. Quero voltar a me cuidar independente do meu tamanho (tenho me privado de tudo, esperando o dia que em que estarei de um tamanho aceitável), quero retomar o projeto de fazer receitas e aprender coisas novas, quero conhecer outras pessoas, jogar vídeo game por algumas horas do meu dia, isto me diverte. Quero rever amigos do passado e passar algum tempo com eles, quero aproveitar cada segundo do crescimento do meu filho, antes que abraços e beijos sejam vergonhosos demais. Quero descobrir o que acontece no mundo do qual eu me afastei por me achar gorda, velha, inadequada, incapaz.  No fim das contas são barreiras que só existem dentro da minha cabeça e que cabem apenas a mim coloca-las abaixo.

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