E mesmo depois de passar um tempo me advertindo e tentando me cercar de afeto de alguma forma antes de assistir ao documentário My mind and Me da Selena Gomez , eu fui lá e fiz o oposto daquilo que eu achei uma boa ideia. Assisti. 

My mind and me
We don’t get along sometimes and it
Gets hard to breathe
But I wouldn’t change my life
And all of the crashing, and burning, and breaking, I know now
If somebody sees me like this, then they won’t feel alone now

Minha cara esta inchada, eu voltei a roer unhas, coisas que eu não faço desde os 11 anos. É um mix de sentimentos porque me deu a sensação de ser um doc extremamente educativo pra quem é Bipolar poder olhar o que acontece ao redor de nós e como as coisas se parecem, e muito educativo pra quem está em volta e não entende exatamente o que esta acontecendo. 

Assistir alguém com uma quantidade de dinheiro que eu não consigo sequer imaginar, todo conforto do planeta, brigando com a mente e o corpo como absolutamente TODO bipolar faz, coloca as coisas em perspectiva. 

Eu acho que por mais que eu entenda o que eu tenho, e sabendo que nunca vai passar, que não tem cura apesar do equilibro, lá no fundo, bem lá no fundo eu acreditava que podia domar mais essa fera com as ferramentas certas. Me parece impossível eu, tão controladora, não controlar a minha cabeça. Mas é isso, não controlo, e isso foi uma baldada de água gelada, aquele tapinha no ombro da consciência. 

Eu vejo muitos filmes, documentários, vídeos sobre Bipolaridade, mas nada nunca esteve tão próximo do que eu vivo. 

Algumas cenas foram bem impactantes pra mim, em alguns momentos Selena esta ali reclamando da vida, de como ela é inferior e insuficiente e completamente convencida disso independente do que as pessoas ao redor dizem, e em outros momentos ela vai perdendo a paciência com as pessoas que ela ama sem um motivo aparente. Eu não acredito em uma palavra positiva sobre mim, NENHUMA, e sinto muito raiva algumas vezes porque eu acho que as pessoas mentem por alguma razão que eu não quer é. Eu perco a paciência com as pessoas por tão pouco. Eu vi minha família, dos amores, nas pessoas ao redor da Selena. A cara de frustração, o silêncio das coisas sem sentido e a vontade de ajudar mas sem saber como e paciência acabando também por conta do comportamento insuportavel.

Eu sempre achei a convivência comigo muito difícil, tanto que eu passo a maior parte dos meus dias completamente sozinha pra evitar magoar alguém, mas também pra evitar um desgaste pra mim. E caralho, não é só difícil essa convivência, é confusa e triste. Claro que não é só isso e tem coisas muito boas nos momentos em que a gente não está fritando por dentro, mas é preciso um olhar muito atento pra enxergar. Me fez perceber que quem fica, quem escolhe ficar, é porque me ama demais ( e eu não sei o que fazer com esse amor senão por ele a prova e ver se as pessoas vão embora e eu provo meu ponto — ao mesmo tempo em que eu quase caio de joelhos implorando por amor.)

A relação da Selena com o trabalho, o choro, querer gente perto e longe, não saber explicar as coisas, a dor, o sentimento de inferioridade e fracasso, ser um adulto funcional e estar se sentindo operacional por dentro mas com uma terrível cara de merda por fora…cara.

Eu sinto que tô escrevendo de forma desconexa, porque tenho tido dias MUITO difíceis, e porque fui verdadeiramente impactada e os dedos no teclado não acompanham nem cérebro e nem o embaçado das lagrimas. 

Selena é uma privilegiada por ter uma rede de apoio, que ta ali mesmo sem entender completamente. E isso deve ser muito bom, principalmente pra gente que tende a se isolar. 

Enfim, to bagunçada, e eu quero organizar tudo aqui pra poder escrever mais, sobre todas as coisas. Preciso assistir de novo pra diminuir a importância daquilo que me impactou, mas se eu puder dar uma dica, se você é Bipolar, assista segurando na mão de alguém você ame muito, mas que não seja da sua familia. E pra todo mundo que esta perto de um bipolar, tira um tempinho e assista. 

*o doc nem deve ser tudo isso, mas por agora meu peito é uma ferida aberta. 

** como tira a musica do doc da mente danificada? não sei.

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