Larissa

Hoje meu peito doeu como se não existisse ar o suficiente no mundo pra encher meus pulmões. Isso nada teve a ver com vírus, com doença, com espaços fechados. Foi um experimento de perder alguém que amo, um filho, uma filha. Areia no mar que escorre entre os dedos.

Passamos a semana toda conversando sobre entender o amor ou a paixão. Acho a coisa mais linda do mundo quando você coloca em palavras aquilo que você traz no peito. Acho lindo mas é algo que eu não quero pra mim, parece doer, parece te tirar o controle dos dias. Você se diverte e ri dos meus medos, eu observo o quanto você é destemida.

No tarô a carta que vira é uma mulher com uma taça gigante repleta de água, amor imenso que sufoca, afoga, e é tudo que eu tenho. Talvez eu saiba amar mais do que eu entendo, outros tipos de amores.

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Somos tão ligadas uma a outra que achei que os meus pensamentos cruéis sobre mim pudessem de alguma forma passar pela sua cabeça, e que você pudesse fazer as escolhas erradas que eu coleciono em caixinhas bonitas. Fui tomada por um pavor que me movimentou, fez meu corpo coçar, os perigos sumirem e foi assim que o ar ficou rarefeito.

Hoje eu achei que alguma coisa ruim pudesse acontecer, e meu mundo em câmera lenta parou de vez.

Talvez tenha sido sua lição sobre o que é amar. Talvez você apenas não saiba o quanto amor existe ao seu redor. Te quero bem. Preciso que você me ensine sobre amar, sorrir, ser arrastada por grandes ondas, estragar sapatos e ainda parecer elegante, ter uma paleta própria, saber se doar, permitir encantar e ser encantada.

Se pudesse te manteria embaixo das minhas asas, você sabe que sim e sabe onde encontrar colo.

Hoje é um daqueles dias em que você poderia bater o pé, comer coisas que dão alergia, misturar vodca com catuaba e um vinho do porto e eu não teria nenhuma frase de senhorinha para alertar sobre o “perigo iminente” de tudo dar errado.

Não me assuste mais assim. Não se assuste mais assim. Você nunca vai estar sozinha.

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