Não tenho escrito muito ultimamente. Na verdade é por pura falta de tempo. Assumi alguns novos compromissos BEM particulares, além do mais constante, que é a maternidade.
Aos poucos como sempre as coisas acabam voltando para o lugar, mas no momento estão um tanto confusas. Pelo menos para mim.
Na ultima segunda feira iniciei o tratamento de TDAH, quer dizer fui ter mais uma opinião a respeito disto.
Sou bem resistente a modinhas e pra mim modinha de doença é o fim da picada, mas por incrível que pareça existe. As pessoas querem ter TDAH para se parecerem com Virginia Woolf, Ernest Hemingway, Kurt Cobain ,Van Gogh ,e a maioria nem se sabe se tinha mesmo TDAH estão todos MORTOS,podiam ser só deprimidos, vai saber, eles não vá contar,rs.  Além do que eu tinha aquela  opinião tosca de que depressão e outros transtornos da mente são coisas de “gente rica e fútil” sem ter o que fazer.
Enfim, minha opinião sobre o assunto mudou totalmente. Fui diagnosticada pela minha psicologa em 2004. Ela me encaminhou para um psiquiátra que por todos os motivos ai em cima, eu não consultei. Com o tempo meu comportamento começou a afetar sériamente a minha vida particular (antes acho que só afetava aqueles que conviviam comigo e se sentiam agredidos e de fato eram). Tudo aquilo que eu achava normal, as coisas que eu fiz, o que eu falei, o que eu quebrei…saltam aos meus olhos hoje como o insano do insano.
Nos últimos 2 anos minha variação de humor passou a ser mais freqüente e mais forte, os gastos voltaram a se descontrolar, o iniciar coisas sem jamais concluir são uma constante, comer nada durante um bom tempo e de repente comer um bolo inteiro compulsivamente, me ferir propositalmente, minhas agressões e falta de paciência, os amigos que perdi, tudo isso me afetava bem pouco, até perceber que as 2 pessoas que mais amo estavam por demais abaladas com esse tumulto todo.
Resumo, não quero perder meu marido e nem permitir que algum dia meu filho me odeie. Ambos teriam razão. Não quero perdê-los e nem o resto de nossa família.
Estou então em tratamento, tenho um terapeuta e um psiquiátra, 2 frascos de comprimidos que ainda não tenho coragem de tomar e a esperança de que tudo pode dar certo.
Vou tentar não escrever mais sobre isso aqui, acho que esse é só um detalhe no meu caminho e o importante mesmo é a essência.
Não vou usar o TDAH como desculpa para as merdas que fiz, nem as que farei, não quero tratamento diferente, privilégios , aposentadoria por invalidez , nada, nada. Quero que a tristeza passe, quero e encontrar, voltar a ser a pessoa de 10 anos atrás. Eu quero paz. Facinho né?

 

Para saber mais sobre o assunto:

Fonte:
http://www.bipolaridade.com.br/

Bê-á-bá:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?419

Material de apoio:
http://www.bipolaridade.blogspot.com/

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  • Olá… me identifiquei muito com o seu desabafo sobre as conseqüências do TDAH em nossa vida… eu também tenho TDAH, foi diagnosticado há pouco tempo, também reluto em continuar o tratamento, pensando ser capaz de continuar sozinha… mas não dá… tenho 32 anos, dois filhos lindos que eu amo (de 5 e 2 anos), sou separada e moro com a minha mãe. Também tenho isso de agredir as pessoas que amo, quebrar coisas às vezes, ser impulsiva, comer demais ou de menos, começar tudo e não terminar nada, não ter concentração pra nada, e nem vontade muitas vezes, me sinto extremamente irritada muitas vezes e acabo fazendo coisas de que arrependo muitíssimo depois… enfim, isso tudo é terrível pra mim… tenho dificultada terrível em continuar coisas, inclusive com o tratamento, eu inicio e páro toda hora… tomo Ritalina, me sinto melhor, mais concentrada, mas por outro lado aumentou minha ansiedade e minha irritação… me sinto muito insatisfeita comigo ultimamente, às vezes me sinto culpada por não conseguir mudar a minha vida, me livrar de tudo e simplesmente ser feliz… não pode ser tão difícil, né? Estou afastada do meu trabalho há um ano e meio, porque não tenho concentração pra trabalhar… tudo isso é muito difícil, e tenho a tendência de me sentir pior que os outros muitas vezes… bom, foi um desabafo. Não se sinta sozinha, assim como nós duas, muito mais gente deve se sentir assim, no meu caso piorou muito depois da maternidade… siga em frente com seu tratamento, tente o máximo, eu sei que é difícil como também é pra mim… mas o importante é não desistir. Vamos conseguir ser felizes sim. Um grande beijo! Pode me escrever se quiser.